Ribeirão Preto / SP - quarta-feira, 01 de outubro de 2014

HPV (condiloma anal)

Condiloma anal e genital (verrugas): diagnóstico e tratamento do HPV.


A doença mais importante provocada pelo papilomavírus humano (HPV) são as infecções genitais (verrugas), tanto no ânus como na região genital. As lesões no pênis e no ânus são mais facilmente reconhecíveis; nas mulheres, porém, elas podem ser internas, só detectáveis por exame ginecológico.

A principal via de transmissão do HPV é a sexual. Portanto, atinge homens e mulheres e pode ser transmitido de um parceiro para o outro.

O mais comum é a pessoa infectar-se e nunca desenvolver qualquer doença, pois elimina o vírus espontaneamente. Se a pessoa tiver boa resistência, terá maior facilidade de acabar com a infecção. Muitas vezes, ela elimina o vírus e fica curada sem saber que o problema ocorreu. Em situações um pouco mais sérias, especialmente nas mulheres, o HPV pode provocar uma alteração perceptível apenas no exame de Papanicolau. Alguns desses casos acabam evoluindo para tumor maligno: o câncer do colo do útero.

No ânus, em alguns casos, se não tratadas, as verrugas causadas pelo HPV podem evoluir para câncer de ânus. A maioria das pessoas quando recebem o diagnóstico de HPV, ficam assustadíssimas, imaginando que vão ter esse tipo de câncer, o que não é verdade. Se tratadas a tempo, apenas um pequeno grupo corre o risco de desenvolver o câncer.
Estima-se que 40% das mulheres sexualmente ativas estejam infectadas pelo HPV. Não quer dizer, porém, que todas vão evoluir para um quadro de câncer. A importância desse dado reside no fato de que a presença do vírus vem sendo relacionada, como fator causal, ao desenvolvimento de câncer do trato genital inferior (colo uterino, vagina, vulva e ânus).

O sexo oral pode transmitir o HPV uma vez que as mucosas são muito suscetíveis à contaminação. Alguns contaminam com facilidade a pele, as mãos, os pés. Por isto a importancia do exame das mãos, boca e região genital.
Existem vários tipos de HPV e cada um deles têm preferência por um tipo de tecido. Alguns têm preferência pela pele acometendo mãos, pés, joelho e cotovelo; outros a região genital, comprometendo a vagina, pênis e ânus. Alguns tipos de HPV não provocam verrugas e podem passar despercebidos no exame a olho nu. Quando existe uma verruga nos genitais, o diagnóstico fica fácil, mas nem sempre essa lesão é visível. Nesse caso, como saber se uma mulher com vida sexual ativa está infectada pelo HPV, uma vez que 40% delas podem estar contaminadas? Os exames mais simples e fáceis de realizar e que dão bons resultados são o Papanicolau e a colposcopia.
Muitas vezes, a verruga pode ser muito pequena ou estar localizada internamente e ser inacessível aos olhos da paciente. Por isso, esses exames de prevenção devem ser realizados rotineiramente. Na colposcopia, o médico observa através de lentes de aumento. A mulher deve fazer os exames de prevenção, no consultório ou posto de saúde a partir do momento em que inicia a vida sexual. Se o médico notar que as células estão alteradas sugerindo infecção por HPV, ela será encaminhada para a colposcopia (lente de aumento).

Caso exista alguma alteração, o passo seguinte é realizar uma biópsia e encaminhar para exame, o que possibilita verificar a presença de alterações sugestivas de pré-câncer ou câncer ou se elas resultam da cicatrização normal provocada por um processo infeccioso já debelado. O mesmo vale para mulheres que praticam sexo anal e homens homossexuais. Em ambas situações, o paciente deve procurar ajuda médica quando houver caroços ou verrugas no ânus.

Se por algum motivo estiver com resistência baixa (Aids, diabetes, fumante, quimioterapia, etc) apresentará condições mais favoráveis à evolução do HPV.

Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a possibilidade de cura e tratamento conservador. Uma lesão inicial tem mais chance de ser tratada com sucesso. O objetivo do tratamento da infecção pelo HPV é a retirada da lesão que ele causa. Lesões restritas, pequenas e superficiais podem ser tratadas com aplicação de agente químico ou cauterização clássica. Lesões maiores exigem cirurgia. Como não existem agentes antivirais específicos para combater o HPV, é preciso estimular o sistema imune da pessoa para que ela mesma combata a infecção. Por isso, se recomenda que pare de fumar, faça exercícios físicos e tenha boa alimentação.

A infecção no homem é mais visível até por conta do aspecto anatômico dos órgãos sexuais masculinos. Apesar de pouco freqüente, a evolução pode caminhar para um câncer invasivo. O que se tem constatado é que, talvez por fricção ou por estarem mais expostas, as verrugas masculinas são eliminadas em proporção maior do que as femininas. Desse modo, teoricamente, todos deveriam usar preservativo sempre para inibir a transmissão do HPV.

Se as pessoas apresentam verrugas e eventualmente estão sendo tratadas, pelo menos nesse período devem usar camisinha. Quando a infecção não tem importância clínica e só é detectada em exames muito especializados, o preservativo deixa de ser obrigatório.

Como é uma situação complicada, acaba-se estimulando o uso do preservativo sempre como medida de saúde e higiene até porque não é só o HPV que pode ser transmitido no contato íntimo. Além disso, no mundo de hoje, a vida sexual mais livre e a variação de parceiros implicam eventuais outros riscos e exigem maiores cuidados preventivos.

O uso de medicamentos específicos para tratamento do HPV como Imiquimode deve ser única e exclusivamente por prescrição e orientação do médico. Nunca use medicamentos por conta própria e sem orientação do especialista.